
60,5 x 27,5 (diâmetro)
Aço, latão, cobre e ébano
CAT. 1878: 424
Dois galvanómetros pequenos com campanula de vidro- um de fio fino outro de fio grosso.
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As descobertas de Oersted em 1819 e os trabalhos de Ampère no
decurso do ano de 1820 levaram ao aparecimento de um novo tipo de instrumentos
de medida, os galvanómetros. Ampère, ao realizar as suas
experiências, cedo se apercebeu de que o comportamento da agulha
magnética, sob a acção de uma corrente, podia ser
utilizado para avaliar a intensidade da corrente no fio condutor.
Ainda no ano de 1820, Schweigger construiu uma armação
rectangular de madeira, na qual enrolou um longo fio isolado, e que recebeu a
designação de multiplicador de Schweigger. No interior desta
bobina, colocou uma agulha magnética suspensa de um fio fino. Na
ausência de corrente eléctrica, a agulha orientava-se segundo a
direcção do meridiano magnético. Quando passava corrente
eléctrica no fio enrolado na armadura, a agulha sofria um desvio, cuja
amplitude seria dependente da intensidade da corrente. A fim de evitar que a
agulha se orientasse sempre segundo a direcção do meridiano
magnético na ausência da corrente, Nobili, em 1826, concebeu um
sistema astático. Este era constituído por duas barras
magnéticas cilíndricas e paralelas, cujos pólos
magnéticos estavam orientados simetricamente. O sistema estava
construído de maneira a que uma das barras ficasse localizada no
interior do multiplicador, enquanto a outra se localizava no exterior.
Graças a esta configuração, Nobili conseguia maior
sensibilidade para o seu galvanómetro, anulando o efeito de
torção do campo magnético terrestre. O conjunto das duas
agulhas assim montadas ficava sujeito a dois pares de forças
simétricas, evitando-se a torção do fio quando não
houvesse passagem de corrente no multiplicador.
No mesmo ano em que Nobili construiu este novo modelo de
galvanómetro, Poggendorff instalou, num sis-tema por si
construído, um pequeno espelho plano destinado a reflectir um feixe de
luz relativamente fino, através do qual, com o auxílio de uma
luneta, era possível medir o ângulo de torção do fio
de suspensão da barra ou agulha magnética, quando esta se
encontrava sob a influência da corrente eléctrica do
condutor.
Entre 1833 e 1846, Gauss e Weber desenvolveram sistemas bastante
sensíveis à acção da corrente eléctrica,
tendo criado um modelo de multiplicador de secção
elíptica, no interior do qual se movia a barra magnética. Estes
aparelhos, todos construídos com barras magnéticas de
dimensões relativamente grandes, apresentavam a desvantagem de oscilarem
com períodos de oscilação elevados e com um pequeno
amortecimento, o que tornava as operações de medida muito
demoradas. No ano de 1851, W. Thomson concebeu um sistema extraordinariamente
sensível, muito superior aos anteriores pelo facto de o período
de oscilação das peças móveis ser muito menor, e o
amortecimento mais rápido. O seu galvanómetro era
constituído por duas pequenas agulhas magnéticas, colocadas no
interior de duas bobinas circulares. As agulhas estavam suspensas por um fio de
torção e moviam-se solidariamente com um pequeno espelho plano.
As pequenas dimensões e ínfimas massas das agulhas reduziam
consideravelmente o período de oscilação. O sistema
atingia assim rapidamente o repouso, na nova posição de
equilíbrio. Para diminuir o efeito do campo magnético terrestre
sobre a torção no fio de suspensão das agulhas, Thomson
utilizou uma barra magnética ligeiramente encurvada. Esta barra estava
montada sobre um tubo de latão, no qual passava o fio de
suspensão das agulhas, podendo subir ou descer ao longo do tubo. Por
outro lado, esta barra podia efectuar um movimento de rotação em
torno de um eixo vertical, coincidente com a direcção definida
pelo fio de suspensão. Assim, tornava-se possível
orientá-la de forma a que o campo magnético, na zona das agulhas,
fosse aproximadamente nulo quando não houvesse passagem de corrente nas
bobinas.
O modelo do Gabinete de Física data de 1858.
Chwolson, O. D., Traité de Physique, Paris, 1913, Tomo IV, pp.1060-1095.
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